Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro




essa música tem feito sentido
a propósito: Mudei pra cá agora !
=]



Meus 5 leitores do RSS atualisem ;]

Sei de gente obcecada com nenhures, convencida de uma importância que não tem nem nunca terá, gente paranoicamente consumida pelo estímulo da perseguição, que a toda a hora projecta nos outros os seus mais recalcados vícios, sei de gente que, vista de perto, é como um imenso lago viste da estratosfera, ou seja, nada, gente que se julga mais gente do que na realidade é. Sei de gente que anda sempre à procura de alguma coisa com os olhos no horizonte, gente que olha tanto para a frente que nem repara na merda de cão que pisa enquanto anda, porque é gente que não olha para os próprios pés nem nunca os traz descalços, é gente que passa a vida a tentar olhar o mundo por cima dos ombros de outra gente, arrastando consigo o caos dos equívocos que matam e ferem e deixam cicatrizes impossíveis de sarar. Os departamentos de estado devem rebentar pelas paredes de gente assim, gente que olha para tudo com um terceiro olho e procura no vazio alguma coisa que possa estar cheia, uma coisa que não se sabe bem o quê, gente que paga e despende, gente que desperdiça os dedos sem olhar as unhas, gente com garras de borracha e vestidos de organdi. Os departamentos de estado simpatizam com gente assim. Esta gente é o sexo dos anjos, um sexo murcho e cobarde a agir por antecipação, um orgasmo precoce que não tem escrúpulos na traição porque é gente que desde pequena se trai a si própria. Por alguma coisa, todos queremos alguma coisa. Ansiamos pelo nosso dia, pela hora h, pelo momento de sorte que até aos nascidos sem cu causa excitação. Mas não nos excitemos em demasia. Quando menos esperamos, o que julgávamos grande torna-se pequeno. Nestas coisas é preciso ter o olho da demora. Não vale a pena querer ver a Terra da lua se nem para a vermos dentro da nossa própria casa temos olhos. Pousemos a cabeça sobre a nação. As conspirações apenas nos ensinam que nada temos a aprender.




Li aqui.

...

4:44:00 PM | 1 Comments


Pelos beijos que poupei,
pelas pratas empenhadas,
pelas horas que não sei
onde foram derrubadas;

pelo breve candeeiro
que me tem encandeado,
pela falta de dinheiro
para o supermercado;

pela fuga dos amigos,
pela música calada,
pelos dias resumidos
ao encontro com o nada;

pelo pó da autoria
no fundo das estantes,
e pela miopia
dos soluços dominantes;

pela tinta nos meus dedos,
pelos passos sem destino,
pelos tojos e penedos
no meio do caminho;

pela vida dicionária,
exangue de ilusão,
e a arte solitária
de morrer do coração.


José Miguel Silva, in O Sino de Areia, Gilgamesh, Agosto de 1999.


Novo filme da PIXAR



Sobre Nuvens, Amizade...

sobre MIM
Minhas Viajens em Fluxo de Pensamento
e Bicicletas nas Kaixinhas de Pandoras..

Sequidão

3:03:00 PM | 0 Comments

E ela não entendeu o vazio que ficou depois que tudo fora embora.

Tudo precisava ser preenchido.
Mas parecia que tudo bastava em si mesmo.
Nada pedia complemento.

A vida tristemente sorria.
E continuava sua laboriosa melodia...










"O ar seco, da cidade seca.
Os dias quentes.
Pensamentos insanos.
Garganta áspera.
Fala errada.
Vidas divididas."





























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sequidão | s. f.

sequidão
s. f.
1. Necessidade de beber; secura.
2. Fig. Desejo ardente.

livros só mudam pessoas...

Livros só mudam pessoas